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Exaustão. Em 2017 eu iniciei um blog e instagram… | by Pamella Amorim Liz | Dec, 2021

Pamella Amorim Liz
Photo by Volkan Olmez on Unsplash

Em 2017 eu iniciei um blog e instagram de receitas, e me impus postagens semanais. Poucos meses depois, eu não aguentei minha própria imposição e parei de publicar qualquer coisa, para voltar quase um ano depois, em uma receita única. Pula pra 2020, meio da pandemia. Eu reativei o Instagram (o blog, coitado, continua às moscas), eu recomecei a postar receitas de forma despretenciosa, vez ou outra. Foi um verdadeiro escape pra realidade em que todos estávamos naquele momento. Entrei na onda dos “Padeiros da Quarentena”, fiz meus pães, aceitei pedidos de receitas, aumentei o fluxo de publicações, trabalhei na edição das fotos, stories diários, interação com público, fiz cursos e tudo o que podia. Sim, eu estava entrando de cabeça nessa coisa de Instagram de receitas, mesmo com pouquíssimos seguidores. Eu disse que foi minha válvula de escape.

Pois agora já estamos em dezembro de 2021, e fazendo uma retrospectiva, pude perceber que tive vários hiatos criativos e produtivos ao longo dos meses. É exaustão que chama. E eu não sou nenhum cristalzinho especial, a exaustão é coletiva.

Para poder exercer qualquer tipo de criatividade nós precisamos viver o mundo, experienciar coisas novas, tal qual uma criança descobrindo novos sabores e texturas. Precisamos nos expor ao diferente pra poder sair da zona de conforto e expandir a mente. Mas, como que isso é possível dentro de casa no último ano e tanto? Sim, eu sei que a internet está aí justamente pra isso. Eu sei que o YouTube tem milhares de tutoriais, que existem cursos e mais cursos online, que restaurantes fazem delivery, que museus tornaram suas galerias acessíveis ao público para visitação virtual. Mas não é a mesma coisa. Supre por um tempo, mas não pra sempre. É o que tem pra agora, mas é um aporte limitado e que enche o saco, sendo bem sincera. Nós já passamos 24/7 dentro de casa entre sofá/quarto/cozinha/computador/tela do celular, e nos limitarmos ainda mais a isso dói. E isso tudo é white people problems pra caralho.

“Parabéns pra você, privilegiada que tá em casa desde o ano passado, não precisa sair pra trabalhar e tá bem protegidinha do mundo se quiser”. Não to fazendo mais do que minha obrigação. Se tá difícil pra mim que posso ficar em casa, imagina pra quem não tem essa opção, né?

Por outro lado, eu sei que as as fronteiras reabriram (eu mesma viajei nesse meio tempo), restaurantes e cafés atendem com uma certa restrição de horários e capacidade, e lojas ficam abertas para comprarmos o necessário. Mas nada disso parece certo, dá pra entender? Você se sente confortável em ir curtir a vida, boa comida e lojas enquanto ainda enfrentamos uma pandemia? Porque eu vivo nesse dilema, pesando os prós e contras de viver na exaustão do confinamento e sem um novo olhar sobre as coisas (porém em segurança sanitária) vs. sair para desbravar o mundo em meio ao caos.

Não existe resposta certa, você deve fazer isso ou aquilo. A gente vive com peso que consegue carregar, e enquanto isso, seguimos, um passo por vez.

A única obrigação e dever que temos, é o de tomar a vacina.


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