Cancer

Interligação (Sobre Primavera, Outubro Rosa e Psicologia) | by Isadora Luisa Tavares | Oct, 2021

A primavera chega e nos lembra do mês que se aproxima. Com ela vêm as chuvas e as cores, onde uma em especial nos chama a atenção. O rosa. Outubro Rosa. Fico contente que essa campanha aconteça justamente na época das flores.

Hoje, alguns eventos me fizeram refletir. Eles se interligam de alguma forma. O primeiro, meu horário semanal de psicoterapia, onde a sessão girou em torno da aceitação. Mais tarde, um encontro numa Fundação de Apoio à Pessoa com Câncer da qual minha mãe fez parte após descobrir a doença há seis anos.

Todos nós, em algum nível, temos uma dificuldade de aceitar as coisas. Desde os desafios do início de uma carreira até o diagnóstico de um Câncer. E nada melhor para ajudar nessa hora do que um psicólogo.

Minha terapeuta sempre salva pelo menos alguma parte de mim. Temos o costume de nos fixar demais em coisas negativas que acontecem. E com razão, há motivo legítimo para isso. Nenhum sofrimento é em vão. No entanto, esse movimento faz com que as coisas positivas tenham pouca influência em nossa vida.

E sabe por que isso é perigoso? Desesperança. Quando ela chega é difícil mandá-la embora, e com ela presente, tudo se esvai e perde o sentido. Viver se torna obsoleto. É por isso que ter uma pessoa para nos trazer de volta ao real é importante.

A reunião tinha o objetivo de compartilhar experiências de mulheres que já passaram pelo tratamento com aquelas que estavam iniciando sua estação. Digo estação porque a trajetória com esta patologia se assemelha ao ciclo da natureza, mesmo por vezes se invertendo.

Entre relatos de dificuldades que vão desde baixa autoestima por causa da queda do cabelo devido aos medicamentos até diversas outras situações, vinha uma psicóloga abrandar a situação. Como o ruim se apega mais em nós, ela fazia questão de usar as palavras para mudar o foco do sofrimento para a ressureição, tal qual faz a primeira folhinha após o outono.

Tem uma frase do Rubem Alves que diz que “as palavras só tem sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor”. Mais cedo minha psicóloga compartilhou um trecho da Clarice cuja última frase ressalta que viver vale a pena. A profissional no evento afirmou que o tratamento não é o vilão, como muitos pensam. À noite, o yoga me fez repetir que eu me aceito e me amo no aqui e agora.

Cristãos diriam que tudo foi providencial. Talvez seja ou talvez não. Mas nada tão lindo do que ver alguém florescer.


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